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Perdão: A chave para a verdadeira liberdade

Atualizado: Mai 15



Na vida, todos nós estamos sujeitos a vivenciar momentos bons, que nos deixam boas e fortes lembranças, e também momentos ruins, que nos marcam profundamente ferindo o nosso coração, deixando-o amargurado e ressentido.


A palavra ressentimento significa: re-sentir, sentir novamente. Ou seja, depois do fato acontecido, a pessoa fica o tempo todo sentindo a mesma dor que experimentou no momento da decepção, não apenas lembrando-se do fato, mas permitindo que seu coração permaneça mergulhado na mágoa.

Assim como acontece no processo do amor, ao qual a pessoa amada começa a fazer parte da vida de quem a ama, no processo da mágoa não é diferente. A pessoa magoada aprisiona seu inimigo ao próprio corpo, de forma que não poderá mais caminhar livremente sem trazer à mente a lembrança de seu inimigo. Em outras palavras o ressentimento é um amor estragado, que ao contrário do verdadeiro amor, faz muito mal à saúde física, psicológica e espiritual.



O famoso dramaturgo Willian Shakespeare costumava dizer uma frase muito significativa a respeito do ressentimento. Dizia ele que “guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”. De fato este homem, mesmo não sendo religioso, conseguiu compreender com muita propriedade o verdadeiro significado deste “re-sentir”.


Se o ressentimento tem todo este o poder de aprisionar o inimigo dentro de nós, então será necessário usar uma chave para abrir a porta de nosso coração permitindo que a libertação aconteça por completo.


Esta chave tão importante nos é concedida por Deus, segundo Sua própria graça e se chama perdão. Um ato necessário, porém difícil de ser concretizado, pois quando estamos feridos, preferimos acreditar que a dor passará com o tempo deixando que a ferida fique cada vez mais inflamada do que ter a coragem de enfrentar a dor para curar-se totalmente.

Quero citar aqui, o maravilhoso exemplo de um coração que se permitiu ser cheio do amor de Deus e que, portanto sempre esteve disposto a perdoar. São João Paulo II sofreu um atentado na tarde de 13 de maio de 1981 em plena Praça de São Pedro, no Vaticano, durante a audiência pública realizada sempre às quartas. O turco Mehemed Ali Agca disparou três vezes uma pistola de nove milímetros a menos de sete metros de distância, ferindo gravemente o estômago, a mão esquerda e o cotovelo do pontífice.




Uma multidão de 10 mil fiéis presenciou o fato, incluindo Sara Bartoli, que na época era a criança que estava nos braços do sumo sacerdote no momento do atentado. O Papa perdeu muito sangue e chegou ao hospital quase inconsciente. Foi submetido a uma cirurgia de mais de cinco horas para retirar parte do intestino e sua saúde nunca mais foi a mesma.


Após dois anos do atentado, o Papa visitou o turco na cadeia de Ancona, na região central da Itália. O pontífice perdoou Agca e este fato tornou-se para todos os católicos, além de um grande exemplo de amor, a certeza de que um coração curado não se permite guardar para si nenhum ressentimento.

Ali Agca permaneceu preso, pois cumpria sua pena pelo assassinato de um jornalista, mas através do Papa João Paulo II teve a graça de experimentar a verdadeira liberdade que só acontece através da força do perdão.



Enias Costa

Membro Consagrado da CCDE

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