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Papa Bento XVI explica o sentido e o valor do Sacramento da Confissão



Os Sacramentos e o anúncio da Palavra, de fato, não devem nunca ser concebidos como separados, mas ao contrário, Jesus afirma que o anúncio do Reino de Deus é o objetivo da sua missão; este anúncio, entretanto, não é somente um 'discurso', mas inclui, ao mesmo tempo, o seu próprio agir; os sinais, os milagres que Jesus faz indicam que o Reino vem como realidade presente e que coincide ao final com a sua própria pessoa, com o dom de si. O sacerdote representa Cristo, o enviado do Pai, continua a missão de Cristo, mediante a palavra e o sacramento, nesta totalidade de corpo e alma, de sinal e palavra" (Catequese, 5 de maio de 2010). Exatamente esta totalidade, que funda as raízes no próprio mistério da Encarnação, nos sugere que a celebração do Sacramento da reconciliação é por ela mesma o anúncio e por isso, via a ser percorrida para a obra da nova evangelização.


Em que sentido, então, a Confissão Sacramental é via para a nova evangelização? Antes de tudo porque a nova evangelização traz a nutrição vital da santidade dos filhos da Igreja, do caminho de conversão cotidiano de conversão pessoal e comunitária para conformar-se sempre mais profundamente a Cristo. E tem uma estreita ligação entre santidade e Sacramento da Reconciliação, testemunhado por todos os santos da história. A real conversão dos corações, que é abrir-se à ação transformadora e renovadora de Deus, é o "motor" de toda reforma e se traduz em uma verdadeira força evangelizadora. Na confissão, o pecado arrependido, pela ação gratuita da misericórdia divina, é justificado, perdoado e santificado, abandona-se o homem velho para revestir-se do homem novo. Somente quem se deixou profundamente renovar pela Graça Divina, pode levar em si mesmo, e portanto, anunciar, a novidade do Evangelho. São João Paulo II, na carta apostólica Novo Millennio ineunte, afirmava: "Uma renovada coragem pastoral venho pedir para que a cotidiana pedagogia das comunidades cristãos saiba propor em modo convincente e eficaz a prática do sacramento da Reconciliação" (n.37) Desejo reforçar tal apelo, na consciência que a nova evangelização deve fazer conhecer ao homem do nosso tempo o rosto de Cristo como mysterium pietatis (mistério da piedade), aquele no qual Deus nos mostra o seu coração compassivo e nos reconcilia plenamente consigo. É esta a face de Cristo que é necessário redescobrir também através do sacramento da penitência.


Em uma época de emergência educativa, na qual o relativismo coloca em discussão a possibilidade de uma educação considerada progressiva introdução à consciência da verdade, ao sentido profundo da realidade, portanto como progressiva introdução ao relacionamento com Verdade que é Deus, os cristãos são chamados a anunciar com vigor a possibilidade do encontro entre o homem de hoje e Jesus Cristo, no qual Deus se fez próximo ao ponto de poder ver e escutar. Nesta prospectiva, o Sacramento da Reconciliação, que toma as direções do olhar da própria concreta condição existencial, ajuda em modo singular a abertura de coração que permite dirigir o olhar a Deus para que Ele entre na vida. A certeza que Ele está próximo e na sua misericórdia, espera o homem, também aquele envolvido pelo pecado, para curar as suas enfermidades com a graça do Sacramento da Reconciliação, é sempre uma luz de esperança para o mundo.


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Queridos sacerdotes e queridos diáconos que vos preparais para o Presbiterato! Na administração deste Sacramento, vos é dada e vos será dada a possibilidade de ser instrumentos de um renovado encontro dos homens com Deus. Quantos se dirigirão a vós, por causa da condição de pecadores e experimentarão em si mesmos um desejo profundo: desejo de mudança, pedido de misericórdia, e, em definitivo, desejo de se lançar, através do Sacramento, no encontro e no abraço de Cristo. Sereis colaboradores e protagonistas de tantos e possíveis novos inícios, quantos serão os penitentes que se aproximarão, tendo a consciência que o autêntico significado de toda novidade não consiste tanto no abandono ou na remoção do passado, mas no acolher Cristo e abrir-se à sua presença, sempre nova e sempre capaz de transformar, de iluminar todas as áreas de sombras e de abrir continuamente um novo horizonte. A nova evangelização, então, parte também do Confessionário! Parte do misterioso encontro entre a grande busca do homem, sinal nele do Mistério Criador, e a Misericórdia de Deus, única resposta adequada à necessidade humana do infinito. Se a celebração do Sacramento da Reconciliação será isto, se nele os fiéis farão real experiência da Misericórdia que Jesus de Nazaré, Senhor e Cristo nos deu, então se tornarão eles mesmos testemunhas credíveis daquela santidade, que é o fim da nova evangelização.


Tudo isto, caros amigos, se é verdadeiro para os fiéis leigos, conquista ainda maior relevância para cada um de nós. O ministro do Sacramento da Reconciliação colabora com a nova evangelização renovando ele mesmo por primeiro, a consciência do próprio ser penitente e da necessidade de aproximar-se do perdão sacramental, para que se renove aquele encontro com Cristo, que, iniciado no Batismo, encontrou no Sacramento da ordem uma específica e definitiva configuração. Este é o meu desejo para cada um de vós: a novidade de Cristo seja sempre o centro e a razão da vossa existência sacerdotal, para que quem vos encontre possa, através do vosso ministério, proclamar como André e João: "Encontramos o Messias" (Jo 1,41). Em tal modo, toda confissão, da qual cada cristão sairá renovado, representará um passo adiante da nova evangelização. Maria, Mãe da Misericórdia, refúgio para nós pecadores e estrela da nova evangelização acompanhe o vosso caminho. Vos agradeço de coração e com prazer vos dou a minha benção apostólica.


Papa Bento XVI


(curso anual do foro interno, organizado pela Penitenciária Apostólica no ano de 2012)

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