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"Francisco, 2016: um ano com o tema da misericórdia" - A retrospectiva do Papa



Neste “Sal da Terra, Luz do Mundo”, recordamos as audiências jubilares neste ano de 2016, momentos vividos com o tema da misericórdia. A este propósito o padre Pacheco Gonçalves propõe mais um comentário sobre a misericórdia como chave de leitura do pontificado de Francisco.

E começamos esta rubrica, precisamente, pelas audiências jubilares do Santo Padre: selecionamos o essencial das mensagens do Papa nestes momentos especiais vividos na Praça de S. Pedro no Jubileu da Misericórdia.

Misericórdia e missão

Foi no sábado, dia 30 de janeiro que decorreu a primeira audiência jubilar neste Ano da Misericórdia. Na sua catequese o Santo Padre falou sobre misericórdia e missão e afirmou que todo o cristão deve ser um Cristóforo, ou seja, “um portador de Cristo” e, ao mesmo tempo, um “missionário da misericórdia de Deus”.

Amar é serviço concreto, humilde e em silêncio

A 12 de março nova audiência jubilar: Francisco falou sobre o lava-pés e afirmou que Jesus ao lavar os pés aos seus discípulos revelou o modo como Deus age connosco e, ao mesmo tempo, dá-nos o exemplo do seu “novo mandamento”, para nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou – afirmou o Papa.

Não só dar esmola mas encontrar o necessitado

A 9 de abril o Papa Francisco falou sobre misericórdia e esmola. O Santo Padre começou por recordar que a esmola deriva do termo grego que significa, precisamente, misericórdia. E, como a misericórdia chega até nós por “mil estradas, também de inúmeros modos a nossa esmola pode beneficiar o necessitado” – afirmou.

Na verdade – continuou o Papa – “não é a aparência que conta, mas a capacidade de parar e fixar, olhos nos olhos, a pessoa que pede ajuda”.

Misericórdia com atitudes de piedade

No sábado, dia 14 de maio, o Papa Francisco na audiência jubilar exortou os cristãos a cultivarem atitudes de piedade rejeitando a indiferença pelos outros.

“Também nós somos chamados a cultivar em nós atitudes de piedade diante de tantas situações da vida, repelindo de nós a indiferença que impede de reconhecer as exigências dos irmãos que nos circundam e livrando-nos da escravidão do bem-estar material.”

A misericórdia sem obras está morta em si mesma

A última audiência jubilar antes da pausa de verão teve lugar no dia 30 de Junho. Na sua catequese Francisco falou sobre as obras de misericórdia. Partindo do capítulo 25 do Evangelho de S. Mateus, Francisco disse que neste Ano Santo da Misericórdia devemos perguntar se para nós misericórdia é uma palavra abstrata ou um estilo de vida.

Segundo o Santo Padre as obras de misericórdia são acima de tudo o testemunho concreto de quem se sabe objeto do amor misericordioso de Deus. E Francisco foi claro e parafraseou o apóstolo S. Tiago: “a misericórdia sem obras está morta em si mesma”.

Misericórdia, chave de leitura do pontificado

Nesta rubrica, o padre José Maria Pacheco Gonçalves, nosso ex-colega de redação, refletiu nas últimas edições sobre a misericórdia como chave de leitura do pontificado de Francisco. Em declarações inéditas, ainda não transmitidas nesta rubrica, o padre Pacheco Gonçalves frecorda-nos hoje a “opção preferencial pelos pobres do Papa”, sublinhando que o Santo Padre retoma afirmações de Bento XVI que dizia que “a pior discriminação de que sofrem os pobres é a falta de atenção espiritual”.

O nosso ex-colega de redação salienta neste comentário a opção do Papa de ficar a residir e a celebrar na Casa de Santa Marta, declarando que Francisco afirmou “mais do que uma vez que é importante que os pastores se sintam, e as pessoas todas em geral, homens e mulheres do povo. E diz isso, mesmo a propósito, por exemplo, da distinção hierárquica”.

O padre Pacheco Gonçalves considera que “a nossa linguagem está cheia de restos principescos e arcaicos” e o Papa Francisco está a “tentar desmontar das nossas cabeças e do nosso subconsciente estas teias de aranha que se tinham acumulado com os anos”.

“Sal da Terra, Luz do Mundo”, é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa.

(RS)

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