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O Mistério do Estado de Vida - Por Marli martir



Bom para começo de conversa, não tenho a pretensão de revelar ou ao menos tentar revelar a você este mistério, mas sim aguçar o desejo desta descoberta. Sei que é muito comum o conflito interior, por causa da necessidade de saber qual é o estado de vida de cada um, é comum se ansiar e até se perguntar se verdadeiramente “quero me casar”, ou “quero ser celibatário (a)”, ou no caso dos homens se “quero ser um sacerdote”.


Estes questionamentos são um bom sinal, são mostra que a pessoa que se questiona, entende que o homem não deve andar sob o ímpeto humano de fazer a própria escolha, e compreende então que tem alguém por ele e que o quer conduzir. Mesmo se vendo na condição de ser pessoa livre, livre para fazer suas escolhas, e colher as devidas conseqüências, a pessoa que está em busca de discernir seu estado de vida, deve saber que homem só terá êxito em suas escolhas quando se deixar conduzir e guiar pelo Espírito Santo.


Sabe-se que o estado de vida é um dom de Deus, não só uma escolha humana, mas primeiramente uma escolha Divina, uma graça, uma dádiva que Deus dá para que a pessoa possa amar servir melhor a Deus e aos irmãos. Segundo Moysés Azevedo da Comunidade Católica Shalom, nenhum estado de vida poderá ser vivido numa perspectiva individualista: “Eu não me caso para mim, não me deixo ordenar ao sacerdote para mim e não me consagro ao celibato para mim”. Entende-se que o estado de vida é para que eu possa doar a minha vida para o outro.


O Magistério da Igreja nos apresenta 3 estados de vida, que são o matrimônio, o celibato e o sacerdócio. Vejamos, o matrimônio é um mistério divino, desde o início da história da salvação: “deixa seu pai, sua mãe e se unirá á sua mulher e os dois constituirão uma só carne” (Gn 2,24), mistério este que contém a benção de Deus: “Deus criou o homem e os abençoou dizendo: Frutificai, disse ele, multiplicai-vos e enchei a terra” (Gn 1, 28). Se faz necessário então não perder esta ordem de Deus nos matrimônios de hoje, para que o homem e a mulher vivam como co-criadores, gerando filhos abençoados para Deus.


Diante do desafio de viver o matrimônio segundo a moção de Deus, é preciso que olhemos para o Cristo na cruz, pois só assim entenderemos que este chamado vai exigir de nós doação e entrega, que devem ser feitos inteiramente por amor, por amor ao outro, à Cristo e à Igreja. Nos tempos de hoje, onde a família é considerada uma instituição arcaica e sem valor, é um tempo propício para os cristãos católicos autênticos testemunhar que existe matrimônios que buscam a santidade e que são felizes no chamado que Deus os confiou. Para a alegria de toda a Comunidade Deus Existe, no último mês de julho tivemos a graça de mais um casal consagrado ao carisma receber o selo do matrimônio, o que é causa de muita festa entre nós, pois um casal pode dizer sim a Deus no altar para o estado de vida ao matrimônio.


Celibato


O que não podemos esquecer é que todos os estados de vida têm sua beleza particular e todos nos levam ao encontro do Cristo. O Celibato, por sua vez, também tem sua beleza e atração, enquanto muitos pensam que este estado tira toda a liberdade da pessoa, é preciso lembrar que na verdade quem tem vocação para vivê-lo, o vive em sua autenticidade e descobre nele a verdadeira liberdade, que não o acorrenta, mas ao contrário liberta, pois passa a “amar sem possuir”.


A Igreja em seu Magistério vai dizer que o celibatário tem um coração indiviso, ou seja, seu coração e pensamentos tem “uma única” direção, não divide-se com ninguém, mas se doa por inteiro à Cristo. A alma celibatária, seja ela homem ou mulher, passa a viver o amor esponsal, dedicando-se as coisas do Senhor, procurando em tudo amar a Cristo, a sua Igreja e ao próximo. Amedeu Cencine, sacerdote e formador, afirma que o ápice da vida de um celibatário encontra-se no amor esponsal vivido quando todos os afetos, todas as potências estão volta-das para Cristo, está em dar-se inteiramente a Cristo com alegria ainda que na dor e nas renúncias necessárias.


O Celibatário para viver à imitação de Cristo que foi celibatário, se entrega em uma vida ascética de castidade, de dedicação exclusiva, trazendo no coração sempre o desejo de doar mais.


Por falta de conhecimento do Magistério e das forma de vida consagrada, muitos trazem o pensamento que o celibato é reservado somente para padres ou religiosos, na verdade é preciso anunciar que o celibato é também para os leigos, “o que é uma realidade jubilosa na Igreja”. Muitos o atribuem aos hábitos usa-dos pelos religiosos (as), e hoje nas Comunidades Novas responder ao chamado do celibato tem se tornado cada vez mais natural, portanto certa vez, ouvi uma celibatária testemunhar: “o hábito que Deus colocou em mim é invisível ninguém pode tocar”.


Também por falta de conhecimentos há aqueles que resumem o celibato à pura renúncia da vida sexual, o que é reduzir também o matrimônio à oportunidade de se relacionar sexualmente. É preciso então, se lembrar então que o estado do celibato será sustentado, e alimentado por este “Dom de Deus”, que é precisamente o que vai trazer felicidade.


Há ainda o estado de vida do sacerdócio, ao qual você pode conhecer mais neste artigo aqui!


Diante das riquezas de cada estado de vida, convido a você a permitir que a vontade de Deus prevaleça em sua vida, te convida a viver bem um discernimento, a esperar as confirmações, para que o seu estado de vida seja acertado na medida do que dom que Deus te chama a viver e tem reservado para você. Que neste caminho a ser trilhado, que Deus te abençoe e abra-te ao chamado de Deus.


Marli Mártir Ferreira - Membro da CCDE

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