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São Gregório de Nissa (c. 335-395), monge, bispo

«Toda a criação [...} tem gemido e sofrido as dores de parto, até ao presente» (Rom 8,22)

O apóstolo Paulo [...] testemunha a respeito do Filho único que Ele não Se limitou a criar os seres, mas que, tendo a antiga criação envelhecido e tendo-se tornado caduca, operou uma nova criação. E assim, o próprio Cristo é o primogénito de toda a criação (Col 1,15) pelo evangelho anunciado aos homens. [...] Como se tornou Cristo «primogénito de uma multidão de irmãos» (Rom 8,29)? [...] Por nós, Ele fez-Se como nós, tendo participado na carne e no sangue para nos transformar de corruptíveis em incorruptíveis, pelo nascimento do alto, da água e do Espírito (Jo 3,5). Mostrou-nos o caminho de um tal nascimento quando, pelo seu próprio baptismo, atraiu o Espírito Santo sobre a água. Tornou-Se assim o primogénito de todos os que são regenerados espiritualmente, e todos os que tomam parte nesta regeneração pela água e pelo Espírito são chamados irmãos. Tendo depositado na nossa natureza humana a força da ressurreição de entre os mortos, Cristo tornou-Se também primícias dos que adormeceram e primogénito dos mortos (Col 1,18). Primeiro entre todos, abriu-nos o caminho da libertação da morte. Pela sua Ressurreição, destruiu os laços da morte que nos mantinham cativos. Assim, por esta dupla regeneração, do santo baptismo e da ressurreição dos mortos, Ele tornou-Se o primogénito da nova criação. Este primogénito tem irmãos, Ele que disse a Maria Madalena: «Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para meu e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus» (Jo 20,17). É por isso que, como mediador entre Deus e os homens (1Tim 2,5), abrindo o cortejo de toda a natureza humana, ele envia aos seus irmãos esta mensagem: «Pelas primícias que assumi em Mim, Eu reconduzo ao nosso Deus e Pai tudo o que é humano.»

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