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Bispo sírio: sobre ataques na Bélgica, também as culpas da Europa


Roma (RV) - Nos atentados em Bruxelas, após os de Paris, “infelizmente, a população inocente colhe também aquilo que círculos e poderes europeus semearam na Síria e Iraque nos últimos anos”.


Foi a amarga reflexão que o arcebispo siro-católico Jacques Behnan Hindo fez à agência Fides sobre os trágicos fatos ocorridos esta terça-feira (22/03) na capital belga. Na análise do arcebispo que guia a arquieparquia siro-católica de Hassakè-Nisibi, as graves responsabilidades das lideranças europeias e ocidentais – muitas vezes condicionadas por interesses egoístas de curto alcance – se manifestam com evidência em vários pontos.


O apoio de vários países europeus às milícias islâmicas definidas “moderadas”

O arcebispo siro-católico observou que “até pouco tempo atrás muitos líderes europeus tinham como principal objetivo geopolítico a queda do governo de Assad, queriam habilitar as milícias jihadistas de al-Nusra como ‘islâmicos moderados’ e atacavam a Rússia por ter atingido bastiões daquelas milícias, defendendo que as iniciativas russas deviam limitar-se a atingir o chamado Estado Islâmico (Daesh)”.


Líderes europeus mantêm relações com países árabes que financiam os jihadistas


Segundo o arcebispo Hindo, muitos governos ocidentais até agora não colocam em discussão as relações privilegiadas que mantêm exatamente com as nações e os grupos de poder financeiro dos quais provêm fluxos de recursos e ideologias que alimentam a rede do terror:


“Há décadas, os líderes europeus e todo o Ocidente mantêm o eixo preferencial com a Arábia Saudita e os emirados da península arábica. Nas últimas décadas garantiram a esses países a possibilidade de financiar em toda a Europa, e inclusive na Bélgica, a criação de uma rede de mesquitas onde se pregava o wahabismo, a ideologia que envenena o Islã e serve de base ideológica para todos os grupos jihadistas. E isso ocorreu porque acima de tudo prevaleciam as lógicas econômicas e os contratos bilionários com os donos do petróleo. Fluxos de dinheiro e recursos que alimentam também as centrais terroristas”.


Uma Europa frágil e confusa inclusive diante do drama dos refugiados


Também a resposta europeia diante da emergência dos refugados representa, segundo o arcebispo sírio, um sintoma da fraqueza e da confusão das lideranças europeias:


“Sobre a questão dos refugiados a Europa escolheu transformar-se refém da Turquia. Compreendo as dificuldades europeias, mas chamo a atenção para o fato que os refugiados acolhidos na Europa em 2015 não superam 0,2% da população, enquanto num pequeno país como o Líbano os refugiados correspondem praticamente à metade da população local. Compreendo as lágrimas da Alto Representante para a Política Externa da União Europeia (Federica Mogherini, ndr). Mas recordo que há 5 anos milhares de sírios muçulmanos e cristãos, mulheres, homens e crianças são massacrados. E não há lágrimas para eles.” (RL)


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