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O jejum - Por Eliandra Pimentel


"Na oração e no jejum, tornando-nos capazes de enfrentar de maneira responsável as tentações de nossa época"


Em um tradicional encontro para o início da Quaresma, o nosso saudoso Papa João Paulo II, que será canonizado neste ano, fez uma reflexão centrada sobre a oração e o jejum como “arma” para combater o espírito do mal, presente no mundo através do pecado.


Este discurso feito em 17 de fevereiro de 1994, mantem-se atual, traduzindo bem as necessidades da nossa Igreja hoje. Eis a tradução do discurso do Papa:“ Quereria dizer algumas palavras sobre um tema que me parece ter sido descuidado: o jejum. Não duvido que sejam tantos os que jejuam, mesmo entre os Párocos e o clero romano.


São muitos os que já o fazem entre os leigos, os inscritos a movimentos ou a outros grupos, os grupos de oração... Mas permanecem alguns problemas. Cristo disse uma vez aos apóstolos que o demônio, e, portanto o mal, não se supera, não se vence não se afasta, a não ser através da oração e do jejum. Nós, especialmente os mais idosos, pelo menos com sessenta anos, sabemos que outrora este problema de jejum na igreja era regulado muito detalhadamente, com um preceito eclesiástico especial, e depois com muitas regras aplicativas.Tudo isto desapareceu um pouco, talvez devido, sobretudo as circunstãncias: houve a guerra, vivemos situações difíceis, e depois parecia já não ser útil regular o jejum com um preceito eclesiástico muito detalhado. Assim, hoje, com o preceito, o jejum limita-se a dois dias por ano . O resto deixa-se à iniciativa pessoal, como fato um pouco privado de cada cristão.


Talvez seja também bom, também justo fazer assim. Mas receio que o clima da época em que vivemos seja muito contrário a jejuar. Fala-se tanto deste consumismo; utilizar as coisas é contrário a jejuar, porque jejuar significa poder deixar as coisas, poder abandonar as coisas por um motivo superior, espiritual. Viver mais como homem espiritual do que como homem carnal. E não sei se os outros irmãos nossos, também os irmãos Ortodoxos, Orientais, não estejam neste ponto, numa posição mais coerente, mais forte que a nossa. Sem falar dos Muçulmanos, que tem o seu “Ramadão”, certamente também a fé judaica é muito observante neste ponto, neste aspecto.


Por vezes vem-me à memória que nós estamos um pouco atrás dos outros. Não é um problema de ambição católica; trata-se apenas de um problema da fidelidade ao Senhor e, sobretudo, da eficácia dos nossos esforços, porque os nossos esforços são grandes, e a Igreja tem decerto a sua força estrutural, mas receia-se que, por vezes, falte esta força espiritual, que vem precisamente da oração e do jejum.


É verdade que o homem contemporâneo ocidental é mais inclinado a oferecer as coisas aos outros , está mais disposto a dar esmola , e são muitos a fazê-lo, há muitas iniciativas neste sentido. Está mais disposto a dar as coisas aos outros do que a aceitar a falta das coisas para si mesmo. Certamente encontramo-nos diante deste espírito do mundo e, também, perante grandes empenhos: vencer este espírito do mundo, vencer o demônio do qual Cristo fala. É uma tarefa, um desafio grande, difícil. Então devemos calcular um pouco as forças, examiná-las de uma e de outra parte, ver se não são demasiado débeis para este desafio, para esta luta espiritual.


Sabe-se que os grandes santos, os grandes Pastores lutavam com esta força espiritual, que é a força da oração e do jejum. ”A Quaresma , portanto, é um período providencial de reflexão e de novos propósitos, de fazermos experiência da proximidade de Deus, na oração e no jejum, tornando-nos capazes de enfrentar de maneira responsável as tentações de nossa época, aprendendo Dele o segredo da vitória sobre o mal.


Eliandra Pimentel ( CCDE)

(Baseado nas reflexões do Santo Padre João Paulo II com o Clero de Roma,no início da Quaresma de 1994.)

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